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Filhotes de gatos cuidados com a saúde

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Filhotes de gatos cuidados com a saúde: controle parasitário, vermifugação, imunização, vacinas especiais e muito mais!

Filhotes de gatos – Fases de vida

  • Período pré-natal – últimas semanas da gestação até o parto
  • Período neonatal – (onde ocorre a maior taxa de mortalidade) que é o período do parto até o 10º dia (onde ocorre abertura dos olhos)
  • Período de transição – entre o 10º e 20º dias
  • Período de socialização – entre 3ª e 8ª semanas
  • Período juvenil – da 8ª semana até a puberdade.
  • Filhotes de gatos – Período neonatal

    Nesta fase os olhos e ouvidos ainda estão fechados, e os gatinhos são poiquilotérmicos parciais, ou seja dependem da mãe e irmãos para manter a temperatura corpórea. Nessa fase a temperatura interna dos gatinhos é cerca de 3ºC mais baixa do que aquela observada por volta das 5 semanas de vida (35.5ºC ao invés de 38,5°C) e por isso são muito sensíveis ao frio. Quando lhes falta calor, seus movimentos tornam-se mais lentos e ficam até impossibilitados de mamar.

    Filhotes de gatos – Tato, Olfato e Paladar

    O tato, olfato e paladar já são funcionais, eles mamam a cada 1-2 horas e dormem a maior parte do tempo. O cordão umbilical cai aos 2-3 dias, e a ingestão do colostro se dá entre 24 e 72 horas, sendo fundamental para a saúde do gatinho. A colonização bacteriana intestinal de dá por volta de 2 dias a 5 semanas, por isso é bem importante evitar antibióticos nesta fase.
    Na fase neonatal os maiores problemas que podem ocorrer são: hipóxia, defeitos congênitos, hipotermia severa, hipoglicemia, desidratação, má digestão pneumonia por aspiração, eventração, septicemia, síndrome do leite tóxico (no caso de mastite na mãe), isoeritrólise neonatal (incompatibilidade dos tipos sanguíneos da mãe e filhote), síndrome hemorrágica e morte súbita. Qualquer alteração que se note nesta fase deve ser levada imediatamente para uma avaliação de um veterinário, sendo que os principais sinais observados são fraqueza, debilidade, vocalização, inquietude, isolamento dos demais, vomito e diarréia.

    Filhotes de gatos – Período de transição

    Nesta fase ocorre o aparecimento dos dentes incisivos e caninos decíduos, e ocorre a maturação sensorial e da audição. Inicia a conduto instintiva de desmame, eles defecam e urinam sozinhos a partir da 3ª semana, e nesta fase já dormem menos. Ocorre o estabelecimento dos primeiros vínculos, o apego cria-mãe se torna a referência e já começam as brincadeiras, respondem mais a estímulos, a mãe começa “castigar” e não se deve interferir. Deve-se cortar as unhas para não machucar a mãe durante as mamadas. Os gatinhos dobram de peso em 14 dias e triplicam na terceira semana.

    Filhotes de gatos – Período de socialização

    Nesta fase deve iniciar a inibição da mordedura, brincadeiras e interações, experiências táteis, contatos com outras espécies. A orientação auditiva ocorre entre 25-28 dias e a visual em 4 semanas. A ruptura do apego com a mãe ocorre por volta de 6 semanas onde se inicia atividades exploratórias, contatos, interações, captação das experiências do meio externo, respostas ao medo e ao desconhecido, nesse período deve-se acostumar com barulhos, com saídas e ter experiências agradáveis com o veterinário.

    Filhotes de gatos – Necessidades hídricas

    As necessidades hídricas dos filhotes são de 130-180ml/kg/dia e calóricas de 220kcal/kg/dia. O uso da vasilha sanitária se dá por volta de 3 semanas.
    O período de maior susceptibilidade à doenças ocorre entre 5 e 8 semanas de vida, onde os anticorpos adquiridos da mãe começam a declinar, e uma boa resposta imunológica se dá entre 8 e 12 semanas ( período que se inicia o protocolo vacinal).

    Filhotes de gatos – Desmame

    O início do desmame se dá entre 3 – 6 semanas e deve ser no máximo até 7 semanas. Deve-se ir separando a mãe e iniciando alimentos pastosos na 3ª semana, entre 5 e 6 semanas já podemos introduzir alimentos sólidos. Os gatinhos devem ter alimento ad-libidum (ou seja, oferecidos à vontade durante todo o dia). O desmame deve ser bem planejado, progressivo e lento, para adaptação do trato gastrintestinal e enzimas digestivas. Se o desmame ocorrer de forma rápida e precoce, o gatinho fica com “mania de sucção” mamando em cobertores, roupas ou qualquer objeto.

    Filhotes de gatos – Cuidados

    Exame clínico, vacinação deve ser feito entre 6 e 8 semanas, assim como profilaxia para endo e ectoparasitas. Deve-se realizar o exame de FIV/FeLV (no caso de fiv positivo, deve-se repetir após 6 meses de vida). Deve-se ficar atento ao ambiente, para evitar quedas, choques, corpo estranho (principalmente fios e linhas), e hipoglicemia por jejum prolongado e estresse.

    Filhotes de gatos – Controle Parasitário

    O controle parasitário se inicia na 2ª semana, sendo que os principais parasitas são:

  • Ascarídeos (ou “lombrigas”) – ocorre em cerca de 20% dos animais, sendo que em gatis pode chegar a 60%. Fazem o ciclo entero-pneumo-enteral, causando tosse, emagrecimento, distenção abdominal, vômito, diarréia e constipação. É uma zoonose, ou seja, pode ser transmitido ao homem. A transmissão se dá pela via placentária (10 dias) e via amamentação (por volta de 5 semanas).
  • Ancilostomídeos (se alimentam de sangue) – mais relacionado a ambientes úmidos e com grandes populações. A transmissão é por via transcutânea ou ingestão, e também se trata de uma zoonose. Ocorrem pápulas cutâneas, rouquidão, pneumonia, anemia grave e gatroenterite hemorrágica.
  • Teníase – entre 6 e 8 semanas, ocorre fezes pastosas e prurido anal. Se trata de uma zoonose , principalmente para crianças, e a forma de transmissão é por ingestão.
  • Giárdia: é um protozoário, também uma zoonose, a transmissão se dá pela ingestão dos cistos (que são resistentes à umidade e sensíveis ao calor) ocorre entre 4 e 5 semanas, causando diarréia, emagrecimento, polidipsia (sede intensa).
  • Filhotes de gatos – Vermifugação

  • 2, 4, 8 e 12 semanas de idade
  • 4, 5, e 6 meses de idade. Após a cada 4 ou 6 meses de idade, dependendo do estilo de vida do gato
  • Na gestante, deve ser antes da cobertura e 10 dias antes do parto.
  • Filhotes de gatos – Imunização

    Imunização passiva: ocorre através da placenta e do colostro. O colostro deve ser ingerido entre 6h-24h, e os níveis de anticorpos dependem da taxa sérica da mãe, do tamanho da ninhada (nível menor em ninhadas maiores que 5 filhotes), da precocidade da primeira ingestão, e da permeabilidade intestinal individual.

    Filhotes de gatos – Vacinação

    As vacinas podem ser inativadas ou atenuadas.

  • No caso das inativadas, na primeira dose ocorre a sensibilização do sistema imune e na segunda dose uma elevada produção de anticorpos.
  • Nas atenuadas, na primeira dose ocorre elevada produção de anticorpos e na segunda dose não corre nenhum efeito imunológico, sendo necessária apenas para evitar a interferência dos anticorpos maternos.
  • Filhotes de gatos – Vacinas inativadas

    As vacinas inativadas são indicadas para fêmeas prenhes, e FIV ou FeLV positivos, pois não ocorre o risco de reversão da virulência (reações vacinais causando sintomas da própria doença)

    Filhotes de gatos – Vacinas atenuadas

    As vacinas atenuadas são indicadas para gatis, pois ocorre uma resposta mais rápida. Não deve ser aplicada em fêmeas prenhes ou animais imunossuprimidos, nem em filhotes menores de 4 semanas de vida.

    Filhotes de gatos – Vacinas essenciais

    São vacinas Essenciais: contra panleucopenia, herpesvírus e calicivirus, assim como Raiva felina.

  • Panleucopenia: a primeira dose deve ocorrer entre 8 a 9 semanas, e a segunda entre 12 e 14 semanas. A duração dos anticorpos maternos varia de 6 a 8 semanas, e revacinação deve ser anual.
  • Herpervírus: A vacinação protege os gatos da doença, da excreção viral e da recorrência da doença, mas não protege contra a infecção e desenvolvimento do estado de portador. Gatos nunca vacinados devem receber duas doses, independente da idade. A duranção dos anticorpos maternos é de cerca de 4 a 10 semanas, e a revacinação deve ser anual.
  • Calicivirus: protege os gatos da doença, mas existem cepas diferente entre as vacinas. A vacinação não protege contra a infecção e excreção viral. Gatos nunca vacinados também devem receber de duas a três doses, a duração dos anticorpos maternos é de 4 a 14 semanas e a revacinação deve ser anual.
  • Vacina antirrábica (ou contra Raiva felina): zoonose grave, incurável. vacina exclusivamente inativada, obrigatória pela legislação. A duração dos anticorpos maternos é de até 12 semanas, a revacinação deve ser anual.
  • Filhotes de gatos – Vacinas não essenciais

    Vacinas não essenciais,, que devem ser usadas de acordo com cada ocasião avaliando-se o risco/beneficio : Clamidiose e Leucemia Viral Felina.

  • Clamidiose: é uma vacina não essencial, protege contra a doença, mas não contra a infecção. O risco real de exposição é em gatis. A primeira dose deve ocorrer de 8 a 10 semanas, a duração de anticorpos maternos é de 4 a 8 semanas, e a revacinação é anual.
  • Leucemia Felina: Vacina não essencial, somente para gatos com risco real de exposição, o ideal é testar antes. Os anticorpos maternos duram de 4 a 8 semanas, e a vacina não protege contra infecção, sendo que podem ocorrer testes transitoriamente positivos. A primeira dose deve ser entre 8 a 9 semanas, com revacinação anual.
  • Filhotes de gatos – Período Juvenil

    De 8 semanas até a puberdade. Nesta fase ocorre o desenvolvimento motor e comportamental, ocorre a independência da mãe e irmãos, normas de higiene, micção, defecação. Neste período é recomendada a castração dos animais, antes que entrem na fase reprodutiva,. Evitando doenças relacionadas a produção hormonal, como tumores de mamas principalmente.

    Gatos – Puberdade

    Maturidade sexual e capacidade reprodutora. Na fêmea ocorre o primeiro cio, por volta de 4 a 12 meses e no macho o aparecimento de espículas penianas, capacidade de cópula e ejaculação. Muitos fatores podem influenciar, como peso, fotoperíodo, deficiências nutricionais, presença de indivíduos da mesma espécie. Aqui o gatinho está pronto para iniciar a vida adulta.

    Dra. Beatriz Rose Mattes CRMV-SP 19478
    Felinos

    Publicado em 25 de setembro de 2013

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