Aves de estimação

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Alguns dos animais de estimação mais adquiridos são as aves, sendo os psitacídeos como os papagaios, calopsitas e cacatuas os mais comuns. Estes pequenos companheiros, além de terem uma vida longa, são espertos e carinhosos.

Intoxicações domésticas

Com o crescimento no número destes animais, intensificam-se também os cuidados e a atenção dispensados na criação.
Frequentemente, essas são vistas nos consultórios veterinários recebendo a mesma atenção que cães e gatos tem de seus proprietários, o que demonstra uma mudança nas relações e na atenção para com animais de estimação. Entretanto, essas também estão sujeitas a doenças, traumas, intoxicações e muitas outras enfermidades. A curiosidade e o descuido podem levar as aves a intoxicação dentro da casa de seus proprietários, sendo principalmente causadas por metais, medicamentos e plantas tóxicas.

Metais

A ingestão de metais das mais variadas qualidades, como o zinco, é responsável pelas intoxicações mais frequentemente relatadas. Ao adquirir a ave, o proprietário deve se atentar a qualidade de gaiolas, brinquedos, bebedouros e comedouros que estarão em contato com a ave.
É fundamental que as gaiolas utilizadas sejam feitas de material adequado, seguro e apropriado para a espécie escolhida. Boa parte é constituída de metal, variando a qualidade e composição da liga metálica. Algumas bitolas e junções da gaiola podem ser bicados pelo animal e com o passar do tempo, dependendo da força efetuada, podem se soltar e serem engolidos. Muitas vezes isso acontece e o proprietário não percebe, mesmo a ave sendo observada constantemente.
Brinquedos colocados na gaiola devem ser analisados antes da compra, pois existem no mercado materiais de má qualidade, geralmente feitos com liga e chumbo e zinco, que se quebram facilmente. Pequenas partes de prata também são galvanizadas e polidas, sendo outra fonte para intoxicação.
Alguns modelos de bebedouros são feitos de metal, e dependendo da espécie podem ser facilmente destruídos. Aves como araras e papagaios tem muita força no bico, o que é ótimo para amassar e destruir materiais de má qualidade, e com isso pequenos pedaços podem ser engolidos. Para essas espécies é melhor utilizar produtos feitos de cerâmica ou plásticos mais resistentes.
Os animais que ficam soltos pela casa são os mais acometidos, devendo ser sempre supervisionados. Qualquer material encontrado no chão ou sobre a superfície de mesas e estantes poderá ser engolido, como pequenas bijuterias, chaves, clipes de papel, parafusos e qualquer outro material metálico. Os sinais apresentados pelo paciente que ingeriu vão ser: letargia, vômitos e regurgitação, eliminação de sangue pela cloaca, ingerir muita água, diarreia e alguns metais podem provocar alterações neurológicas como incoordenação motora, tremores e até convulsão.
O diagnóstico pode ser feito pelo histórico do paciente, sinais clínicos apresentados e exames, como: radiografias, endoscopias, mensurações dos níveis de metal no sangue, hemograma e controle bioquímico. O tratamento vai variar conforme o grau de intoxicação que será avaliado por um veterinário. Alguns animais podem ser submetidos a cirurgias para remoção dos pedaços de metais do trato digestivo, enquanto outros farão somente um tratamento de suporte, geralmente feito a base de quelantes, soroterapia, laxantes, vitaminas e lubrificantes. Dependendo da evolução alguns animais podem necessitar de internação, e até serem alimentados por sonda durante alguns dias. Entretanto é comum, que alguns acabem vindo a óbito pela gravidade do quadro. O tratamento deve ser iniciado assim que possível para aumentar as chances de sobrevivência. Em caso de dúvida sobre o ambiente em que a ave está, entre em contato com um veterinário especialista, que poderá fornecer todas as informações necessárias.

Medicamentos

As intoxicações causadas por medicamentos costumam ocorrer quando a ave tem livre acesso ao local de armazenamento, mas também por erro na dosagem administrada no caso de um tratamento e também pelo período do tratamento, que pode ser demasiadamente longo. As aves são naturalmente curiosas e brincalhonas, podendo ingerir facilmente comprimidos coloridos. Essa característica deve deixar os donos atentos, sempre colocando medicamentos longe do alcance delas e de qualquer outro animal doméstico.
Durante um tratamento é muito importante que a quantidade e a escolha de um medicamento sejam feitos por um veterinário especialista em aves e ou animais silvestres. Existem vários produtos que podem levar a intoxicação, desde um simples antibiótico, antiparasitários, vitaminas, antifúngicos e outros. Os principais sintomas apresentados são: falta de coordenação motora, dificuldade respiratória, regurgitação, convulsão, diarreia e muitos outros sintomas que vão variar conforme o tipo de medicamento consumido. A qualquer sinal de alteração durante um tratamento, a administração do medicamento deve ser suspensa, entrando em contato com o veterinário e encaminhando a ave para tratamento assim que possível, que vai variar conforme o medicamento e sintomas apresentados. Assim como a intoxicação por metal, a ave pode vir a óbito, dependendo do tempo, quantidade e do produto consumido.
Roedores que são utilizados na alimentação de aves como corujas e falcões, devem ser oferecidos para a alimentação sem terem recebido dose de vermífugos e antiparasitários recentemente. Alguns medicamentos ficam na corrente sanguínea e podem se acumular no organismo da ave. A procedência deve ser verificada, sempre visando a qualidade.

Plantas

Existe controversas em várias literaturas sobre a intoxicação de aves causadas por plantas. A intoxicação pode acontecer ao ingerir determinadas partes da planta e algumas espécies de aves não ficam intoxicadas. É mais comum um cão se intoxicar do que uma ave, mas isso não quer dizer que não aconteça. As plantas que podem causar intoxicação são: espirradeira, comigo ninguém pode, copo de leite, mamona, pinhão, entre outras. Cada espécie tem uma particularidade, como algumas que em qualquer parte possuem toxinas e outras em que apenas em locais específicos como as folhas, raízes e caules. Uma planta bastante comum é a violeta, sua flor não apresenta teor tóxico para os animais, sendo que só as raízes dessa planta podem causar crises de vômitos e diarreia. O animal deve receber um tratamento de suporte para auxiliar a combater os efeitos.
Boa parte das espécies de plantas não causam nenhum mal as aves, como as palmeiras que são vendidas em vasos. O que o proprietário deve se atentar nesses casos é para a terra do vaso, pois muitas mudas são vendidas com fertilizantes. Esses produtos podem causar quadros graves, e levar o animal a morte.

Outros

Outros compostos encontrados nas residências podem intoxicar uma ave. Muitos são utilizados diariamente, sem qualquer receio por parte dos proprietários. Um dos mais comuns é a intoxicação por vapores de politetrafluoroetileno, conhecido popularmente como teflon. É facilmente encontrado nas panelas utilizadas na cozinha da maioria das casas, na forma de uma película protetora. A panela vazia ao ser aquecida por alguns instantes no fogo libera vapores que são rapidamente absorvidos por uma ave, que demonstra os sinais em alguns minutos.
Bastante comuns são os inseticidas, normalmente aspergidos no interior das residências. As aves acometidas ficam sem apetite, fracas, com tremores musculares e até com dificuldade de realizar movimentos. O proprietário deve sempre tomar cuidado com a utilização desses produtos, não passando perto da gaiola ou local onde a ave costuma ficar. Em qualquer desses casos o encaminhamento rápido ao veterinário auxiliará na recuperação e em muitas vezes na vida da ave.

M.V. Thalita Queté – CRMV 28542
Atendimento em domicílio para animais silvestres e exóticos
(11) 97169-0827 / 94906-1346
www.draquete.vet.br

Publicado em 28 de maio de 2013

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